Fundos de renda fixa podem ter rentabilidade negativa? Entenda quando e por quê

Sim, fundos de renda fixa podem ficar negativos com juros altos ou inflação. Entenda por que ocorre e como proteger seus investimentos.

Sim, fundos de renda fixa podem apresentar rentabilidade negativa, especialmente quando o ganho real fica abaixo da inflação do período ou quando eventos específicos de crédito afetam os títulos da carteira. Esse cenário tende a ocorrer em momentos de alta de juros, marcação a mercado desfavorável ou inadimplência de emissores, mesmo em fundos considerados conservadores.

Imagem de cálculos para o Fundo de Renda Fixa do Mercado Pago
Imagem de cálculos para o Fundo de Renda Fixa do Mercado Pago

Quem investe sabe que o mercado financeiro pode apresentar cenários voláteis a depender das movimentações diárias. Alguns ativos conservadores sofrem variações, e o fundo de renda fixa não fica de fora. Por outro lado, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e conta remunerada não sofrem com oscilações de cota, sendo opções para quem busca previsibilidade, já que a rentabilidade segue o indexador acordado sem flutuações diárias.

Como funciona a rentabilidade de um fundo de renda fixa

Os fundos de renda fixa funcionam como um condomínio de investidores, onde os recursos são aplicados majoritariamente em ativos de rentabilidade fixa. No momento da aplicação, o regulamento do fundo é disponibilizado para o investidor, trazendo as regras de gestão e a estratégia de alocação.

Após o investimento, o fundo direciona no mínimo 80% do patrimônio em ativos de renda fixa pós-fixados ou prefixados. O restante pode ser alocado em outros ativos visando aumentar a rentabilidade — em geral, o objetivo é acompanhar ou superar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), dependendo da estratégia do fundo.

Esse é um investimento de caráter conservador quando comparado a outras classes de ativos, já que a maior parte do patrimônio está em títulos de baixo risco. Além disso, é uma opção indicada para quem está começando a investir, pela gestão profissional e pela diversificação automática que o fundo oferece.

A tributação segue uma tabela regressiva — quanto maior o prazo de investimento, menor o imposto retido. A alíquota mínima é de 15% para fundos de longo prazo mantidos por mais de 720 dias. O que define se um fundo é de curto ou longo prazo é o prazo médio dos títulos que compõem a carteira.

Tributação de fundos de curto prazo (vencimento até 365 dias)

  • Até 180 dias: 22,50%
  • Acima de 180 dias: 20%

Tributação de fundos de longo prazo

  • Até 180 dias: 22,50%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,50%
  • Acima de 720 dias: 15%

Quando a rentabilidade negativa acontece

A rentabilidade negativa pode ocorrer em dois cenários principais. O primeiro é quando o ganho nominal do fundo fica abaixo da inflação do período, resultando em perda de poder de compra (rentabilidade real negativa). O segundo é quando a rentabilidade nominal fica negativa, ou seja, o valor resgatado é menor que o valor aplicado.

O contexto de rentabilidade real negativa é mais comum. Se a inflação está em alta e o fundo rende próximo ao CDI, mas o CDI não acompanha a inflação, o investidor pode ter ganho nominal positivo e perda real. Já a rentabilidade nominal negativa tende a acontecer em situações excepcionais, como crises de crédito ou movimentos bruscos de juros que afetam a marcação a mercado dos títulos.

Um caso emblemático ocorreu após a crise das Lojas Americanas. Dados do site Mais Retorno mostraram que 82 dos 100 maiores fundos de investimento do mercado eram de renda fixa, e todos apresentaram variação negativa nas cotas logo após o anúncio do rombo contábil. Até fundos referenciados DI, conhecidos pela baixa volatilidade, registraram perdas. Os fundos possuíam títulos de dívida da empresa, que sofreram forte desvalorização. Mesmo com participação pequena na carteira, a queda dos papéis foi suficiente para impactar a rentabilidade, gerando perdas para os investidores.

O que investidores relatam ao usar fundos de renda fixa

Investidores que mantiveram posições em fundos de renda fixa pós-fixados durante períodos de juros elevados notaram retornos nominais consistentes, especialmente em carteiras atreladas ao CDI. Esta estratégia funcionou como proteção contra inflação alta, pois o indexador subia junto com a taxa Selic.

Quem aplicou em fundos com liquidez diária mencionou facilidade para lidar com emergências financeiras. Retiradas rápidas ajudaram em momentos imprevistos, como desemprego ou gasto médico súbito, sem necessidade de quebrar investimentos com carência ou pagar multas por resgate antecipado.

Por outro lado, investidores que migraram de produtos com carência para fundos de renda fixa ou CDBs com liquidez diária relataram menos frustração ao resgatar quando necessário. A diferença está na flexibilidade: fundos com liquidez diária permitem saques a qualquer momento, enquanto LCIs ou CDBs com prazo definido podem travar o capital.

Fundos ativos com exposição a crédito privado foram elogiados por quem buscava diversificar além de títulos públicos, obtendo retornos potencialmente superiores ao CDI. No entanto, esses investidores também relataram mais volatilidade e risco de inadimplência, especialmente em momentos de estresse econômico.

Problemas comuns e como foram resolvidos

Investidores enfrentam problemas específicos ao lidar com rentabilidade negativa em fundos de renda fixa. Entender esses cenários ajuda a tomar decisões mais informadas.

Marcação a mercado em momentos de alta de juros

Em março de 2023, praticamente todos os fundos de debêntures registraram rentabilidade inferior ao CDI, muitos com perdas nominais. O problema foi a marcação a mercado — quando os juros sobem, o valor presente dos títulos cai, reduzindo a cota do fundo. A solução adotada por investidores foi esperar a recuperação da curva de juros ou resgatar apenas após período de estabilização das taxas.

Retorno real negativo por inflação alta

Em 2019, cerca de um em cada quatro fundos de varejo de renda fixa rendeu menos que a inflação, com retorno real médio negativo de aproximadamente -1,2%. O pior fundo registrou cerca de -3,2%. Investidores migraram para fundos DI, títulos públicos com vencimento ou reduziram a exposição a taxas prefixadas para evitar novas perdas.

Taxas de administração elevadas

Investidores relataram perdas mensais entre -0,3% e -0,6% em fundos com taxas de administração acima de 1% ao ano, especialmente quando combinadas com duration longa e cenário de juros em alta. A solução foi comparar taxas entre fundos e escolher gestões mais baratas ou migrar para instrumentos como investir em CDB, que não têm taxa de administração.

Duration longa e sensibilidade a juros

Fundos com prazo médio mais longo oferecem cupom potencial maior, mas têm maior sensibilidade à alta de taxas. Em períodos de estresse, essas carteiras caem mais, reduzindo a rentabilidade líquida mesmo com taxas administrativas baixas. Investidores reduziram a duration da carteira ou optaram por fundos com prazos mais curtos.

Limiares práticos para monitorar a variação das cotas

Em períodos de subida de juros, é comum ver queda mensal nas cotas de fundos de renda fixa de duração média entre -0,5% e -1,5%. Quedas acima de -2% mensais são frequentemente vistas como sinal de alerta para revisar a exposição ao risco de taxa de juros.

Investidores relatam que uma variação diária negativa de -0,1% a -0,2% pode estar dentro do esperado para carteiras com duration mais longa. No entanto, quando a queda acumulada semanalmente ou mensalmente ultrapassa esses patamares, pode ser um indicativo para revisar a alocação.

Para fundos de alta liquidez, como DI ou posições muito curtas, queda mensal na casa de -0,2% a -0,5% já chama atenção, especialmente se persistente por mais de 2 a 3 meses. Esses fundos são desenhados para ter baixa volatilidade, e quedas recorrentes podem sinalizar problemas na gestão ou na qualidade dos ativos.

Trade-offs entre taxas, prazos e liquidez

Taxas de administração acima de 1% ao ano em fundos DI ou similares tendem a levar a retornos reais negativos, especialmente em cenários de juros baixos ou inflação moderada. Levantamentos da Anbima e de especialistas do mercado apontam que essas taxas corroem o ganho líquido do investidor, tornando o fundo menos atrativo que alternativas sem taxa, como CDBs pós-fixados.

Fundos de prazo mais longo oferecem yield potencial maior, mas têm maior sensibilidade à alta de taxas de juros. Investidores relatam que, em períodos de estresse, essas carteiras caem mais, reduzindo a rentabilidade líquida mesmo quando a taxa de administração é baixa.

Liquidez reduzida ou carência em instrumentos como LCIs, LCAs ou CDBs com prazo prefixado pode penalizar em momentos de emergência. Resgates antecipados são difíceis ou acarretam perdas, enquanto fundos com liquidez diária custam mais em taxas ou oferecem rendas menores para compensar essa conveniência.

O que fazer quando o fundo apresenta rentabilidade negativa

Os fundos de renda fixa, apesar da possibilidade de rentabilidade negativa, continuam sendo uma forma de buscar rentabilidade dentro do perfil conservador. Eles contam com vantagens como acessibilidade, gestão profissional, diversificação automática, liquidez e transparência. Se seu investimento apresenta rentabilidade negativa, considere os seguintes passos:

Manter a calma e entender o mercado

Não tome decisões precipitadas nem siga o efeito manada. Entenda por que o mercado se comportou daquela forma. Analise se todos os seus investimentos estão apresentando quedas — se outros fundos também estiverem em baixa, pode ser que a situação seja geral no mercado e tenda a se normalizar.

Avaliar as estratégias adotadas pelo fundo

Analisar a estratégia do fundo é importante. Veja se a escolha foi feita após uma avaliação de potencial. Se sim, pode valer a pena aguardar antes de resgatar suas cotas. Lembre-se de que as perdas só se concretizam quando você faz o resgate — enquanto mantém a posição, há possibilidade de recuperação.

Investir na diversificação da carteira

Diversificar os investimentos permite ter mais estabilidade e retorno das aplicações. Também proporciona outras experiências e a possibilidade de analisar qual o melhor perfil para você investir, distribuindo o risco entre diferentes classes de ativos e estratégias.

Regras rápidas para escolher entre fundos, CDB e conta remunerada

Investidores usam critérios práticos para decidir entre essas opções. Para reservas de emergência, preferem conta remunerada ou CDB com liquidez diária, pela facilidade de resgate imediato sem perda de rentabilidade. Para objetivos de médio prazo, consideram fundos de renda fixa com prazo entre 30 e 90 dias ou fundos referenciados DI.

Quando a proposta de remuneração é pouco acima do CDI, muitos optam por evitar fundos com taxas administrativas altas ou estrutura complexa. Preferem instrumentos simples como CDBs pós-fixados ou conta remunerada pela transparência de custos e pela ausência de taxa de administração.

Uma regra prática citada por especialistas: se a taxa de administração do fundo excede 0,5% ao ano para um fundo de renda fixa simples, ou se houver restrição de liquidez acima de 90 dias, pode valer mais a pena usar CDB ou conta remunerada, desde que haja segurança do emissor ou cobertura aplicável.

Se você busca uma alternativa com previsibilidade de rentabilidade e liquidez diária, considere explorar as opções de investimento do Mercado Pago. Os rendimentos automáticos oferecem praticidade e rentabilidade competitiva, permitindo que você acompanhe seus ganhos de forma transparente e tome decisões de acordo com seus objetivos financeiros.

Disclaimer: Investimentos em fundos de renda fixa não contam com garantia do administrador, do gestor ou de qualquer mecanismo de seguro ou fundo garantidor (FGC). A rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Leia o regulamento e a lâmina de informações essenciais antes de investir.

FAQ

Posso perder dinheiro em um fundo de renda fixa?

Sim, é possível ter rentabilidade negativa, especialmente quando a inflação supera o ganho nominal ou quando eventos de crédito afetam os títulos da carteira. A perda só se concretiza no resgate, então manter a posição pode permitir recuperação.

Qual a diferença entre rentabilidade real negativa e nominal negativa?

Rentabilidade real negativa ocorre quando o ganho fica abaixo da inflação, resultando em perda de poder de compra. Rentabilidade nominal negativa acontece quando o valor resgatado é menor que o aplicado, geralmente por marcação a mercado desfavorável ou inadimplência de emissores.

Fundos de renda fixa são seguros?

São considerados conservadores por investirem majoritariamente em ativos de baixo risco, mas não são isentos de oscilações. Não contam com garantia do FGC, diferentemente de CDBs, LCIs e LCAs até o limite de R$ 250 mil por CPF e instituição.

Quanto tempo devo manter o investimento em um fundo de renda fixa?

Depende do objetivo e da tributação. Para otimizar a alíquota de IR, períodos acima de 720 dias em fundos de longo prazo reduzem o imposto para 15%. Para reservas de emergência, fundos com liquidez diária são mais adequados.

Como as taxas de administração afetam meu retorno?

Taxas acima de 1% ao ano podem corroer significativamente o retorno líquido, especialmente em cenários de juros baixos. Compare as taxas entre fundos e considere alternativas sem taxa de administração, como CDBs, se o ganho adicional do fundo for pequeno.

Posso resgatar meu fundo a qualquer momento?

Depende da liquidez do fundo. Fundos com liquidez diária permitem resgate a qualquer dia útil, com o crédito geralmente em D+1 ou D+0. Fundos com carência ou prazo específico podem ter restrições ou penalidades para resgate antecipado.

O que é marcação a mercado e como afeta minha rentabilidade?

É a atualização diária do valor dos títulos do fundo conforme as condições de mercado. Quando os juros sobem, o valor dos títulos cai, reduzindo a cota. Quando os juros caem, o valor dos títulos sobe. Essa oscilação afeta a rentabilidade no curto prazo, mas tende a se normalizar no vencimento dos títulos.

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